Mensagens

A mostrar mensagens de março, 2017

Aquilo a que chamam de burnout...

Imagem
Quando há 1 ano e 5 meses estiquei definitivamente a minha corda, procurei esconder-me porque queria que os outros me vissem como eu me via: uma fonte inesgotável de energia, uma faz-tudo, uma formiguinha de trabalho, sempre activa e feliz. Que fique claro que há uma diferença entre uma depressão e o síndrome de burnout. O último foi o que me tocou e porque o estigma que paira sobre a depressão e as doenças mentais é geral procurei ocultar de toda a gente o que me afligia. Eu própria tive de me debater com os meus preconceitos e com a ideia de que só acontece aos fracos, aos que não têm mais para fazer, aos frágeis e traumatizados, aos que sofrem perdas irreparáveis, aos que têm historial familiar de doenças mentais, Aos outros, numa só palavra. Quando esta semana me disseram "a tua depressão" acendeu-se uma luz vermelha no meu cérebro. Não, Não foi uma depressão, tive vontade de corrigir, foi um esgotamento profissional, ou também chamado burnout. A depressão torna-nos...

O que ocupa a tua mente, toma conta de ti

Trabalho quarenta e tais horas por semana. Porque sim. Porque desde sempre não gosto de ficar atrás de ninguém, porque me convenci que consigo fazer sempre mais. Só depois dos 40 anos é que começo a desconstruir esta percepção de mim mesma. É uma tarefa difícil, que requer disciplina. Muitas vezes tenho de lembrar-me que a minha prioridade não é o trabalho, não é o ficar bem na fotografia. Com muito esforço, olho para o relógio e digo "Chega, está na hora."  Sigo para casa arrumando nas minhas gavetas mentais as questões que ficaram por resolver até ao outro dia. Mas a grande questão não está só no trabalho. Está na aceitação do erro, do fracasso,  da decepção. O lidar com as expectativas frustradas, os planos alterados, o que ficou por fazer no teu plano de vida, isto é o que representa o desafio constante para quem se vê com...

É mesmo o caruncho

Dormes mais umas horas porque a miúda ficou em casa dos avós e acordas com umas terríveis dores nas costas! Corrijam-me se estou errada, mas lembro-me de dormir até tarde e não ter o corpo neste estado! É como se a partir de determinada altura o corpo te dissesse: "olha lá, já viste o desperdício de tempo que é ficares na ronha até tarde? Vá levanta o cu da cama e aproveita o dia que já não vais para nova!" Aos 40 anos estou na minha melhor condição física: corro, faço ioga, vou ao ginásio 3 vezes por semana... O meu corpo adora exercicio e raramente fica dorido. Só não aguento ficar na cama mais de 7 horas!!!

O Melhor Amigo

Imagem
Nunca gostei de cães. Metiam-me medo, achava-os deselegantes, trapalhões, carentes e, para além disso, mal-cheirosos! As minhas gatas foram sempre superiores a tudo isso. Portanto, sempre me considerei uma cat person . Mas aos 40 anos de idade decidi adoptar um cachorrinho. O Ziggy apareceu na nossa vida numa fase difícil para mim, e o mimo, o carinho e atenção que reciprocamente partilhamos foi essencial na minha cura. Hoje é o melhor amigo da nossa menina que tinha fobia a cães e gatos. É também o meu Ziggyboy, o meu menino , por quem mudámos as nossas rotinas, com quem brincamos e de quem cuidamos com todo  o carinho. O Ziggy trouxe ao nosso lar um misto de caos e tranquilidade, se é que isso é possível. Tornou-nos mais presentes não só para ele mas para também para os outros elementos da nossa família. Há algo imensamente apaziguador que nos assalta quando olhamos nos olhos prof...

Se não fosses ansiosa, o que gostarias de ser?

A ansiedade não é fruto dos quarenta. Esteve sempre cá. Mesmo quando eu pensava que tinha tudo sobre controlo, mesmo quando me iludia com a ideia de que pensar, racionalizar e antecipar era uma qualidade. O que veio com os quarenta foi a consciência desta minha condição e com ela alguma clarividência. Reconheço na minha filha os mesmos traços, as mesmas aflições: as mãos molhadas, as dores de barriga, os sonos agitados, as dores de cabeça e as chamadas de atenção... O que, ironicamente, me causa ansiedade. Portanto, a grande questão é como quebrar o ciclo? Como é que posso impedir que esta filha da mãe me tenha a mim e à minha filha como reféns?

Quarenta e Tais - O Início

Um dia acordei e percebi que tinha acabado de entrar na ternura dos 40 anos. Não foi bonito. Houve muito choro, baba e ranho. Ternura dos 40 my ass! Senti na pele a expressão "Aos 40 rebenta!" Suspeito que não sou a única. Nem vou ser a última. Já se passaram 16 meses desde a minha entrada nos 40, alguns bons meses de reflexão, assimilação e cura interior. Algumas caixas de ansioliticos e anti-depressivos, muitas sessões de yoga, muito exercício físico, enfim, fiz o que tive de fazer para voltar a ser eu. Este é o meu testemunho. Este blog nasce da vontade de partilhar com outros o que é isto de ter quarenta e tais anos.