Aquilo a que chamam de burnout...
Quando há 1 ano e 5 meses estiquei definitivamente a minha corda, procurei esconder-me porque queria que os outros me vissem como eu me via: uma fonte inesgotável de energia, uma faz-tudo, uma formiguinha de trabalho, sempre activa e feliz.
Que fique claro que há uma diferença entre uma depressão e o síndrome de burnout. O último foi o que me tocou e porque o estigma que paira sobre a depressão e as doenças mentais é geral procurei ocultar de toda a gente o que me afligia. Eu própria tive de me debater com os meus preconceitos e com a ideia de que só acontece aos fracos, aos que não têm mais para fazer, aos frágeis e traumatizados, aos que sofrem perdas irreparáveis, aos que têm historial familiar de doenças mentais, Aos outros, numa só palavra.
Quando esta semana me disseram "a tua depressão" acendeu-se uma luz vermelha no meu cérebro. Não, Não foi uma depressão, tive vontade de corrigir, foi um esgotamento profissional, ou também chamado burnout. A depressão torna-nos alienados de tudo, dos amigos, da família, da vida. Ainda que tenha sofrido com sentimentos de desorientação, desapego e desespero, ainda que não me reconhecesse, nunca estive alienada da MINHA vida.
A minha incapacidade de lidar com o meu quotidiano relacionava-se só e tão somente com o meu quotidiano profissional. Com a minha rotina, com o nível de desgaste profissional a que me sujeitei durante 15 anos.
Naturalmente teve repercussões na vida familiar: níveis de irritabilidade nunca antes atingidos, falta de concentração, perda de motivação em fazer o que eu mais gostava, vontade de me isolar socialmente porque a interacção social me obrigava a fingir que estava tudo bem. No momento em que o meu interruptor queimou, foi a minha família que sofreu.
É importante estar atento e não ignorar os sinais. Eu optei por ignorá-los e paguei a factura.
O meu esgotamento trouxe-me uma percepção das minhas prioridades que de outra forma nunca teria. Por este motivo tenho de estar grata pela oportunidade de reflectir sobre o meu estilo de vida.
Por outro lado, existe um sentimento de que algo se quebrou e que apesar de todas as estratégias postas em prática, algo de mim se perdeu naquele turbilhão de dias de stress, de noites perdidas, de jogos de cintura e naquela corda que rebentou.

Comentários
Enviar um comentário