Invisível
Ela sentia-se invisível.
Perdia-se no meio dos outros e os outros não a viam pelo que ela era.
Não se destacava em nenhum grupo: não fazia parte das desportistas, nem das marias-rapaz. Não se enquadrava no grupo dos marrões. Não era rebelde o suficiente para pertencer aos mauzões. E por isso sentia-se invisível.
Não conseguia vencer a timidez para ultrapassar o limiar que a separava dos outros. E quando o fazia, exagerava por tão ávida que estava de atenção.
Então fechava-se. E o ciclo repetia-se: era invisível apenas porque se sentia invisível e os outros só a viam quando o medo já tinha tomado conta dela, e o estômago se embrulhava e as lágrimas rebentavam cá para fora sem que ela as conseguisse segurar.
E os dias passavam … pautados pelo sentimento que não era suficientemente interessante para que gostassem dela. Num sofrimento que só quem a via de verdade partilhava.

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