Os amigos quarentões


Dizem que as amizades mais marcantes são feitas nos anos da nossa adolescência. Os anos de rebeldia, dos inconformados e revoltados, das aventuras e dos desgostos.
Estes são os anos em que a família tem um plano secundário, porque o elo criado com os colegas de escola assume uma importância dramática tal que são feitas juras de amizade eterna, verdadeira e leal.

Mais tarde vêm os outros amigos, os da faculdade, os do trabalho, os amigos que fazemos entre a família que nos acolhe quando casámos. Os amigos do ginásio e os amigos das corridas. Uns seguem o seu caminho que os leva para terras distantes, outros vão ficando, outros crescem em direcções opostas e transformam-se em memórias agridoces. Outros estão sempre lá, mesmo que se passem semanas, meses, anos sem nos vermos.

Aos 40 e tais anos de idade a minha visão da amizade não é a mesma de há 20 anos e tais anos atrás.
Contam-se pelos dedos os amigos sem os quais a minha vida seria muito mais pobre e muito mais vazia. Aprendi a senti-los como família porque reconheço neles partes daquilo que sou.

E depois há aquelas amizades que nos levam de volta à adolescência e que nos fazem rejuvenescer. Deixámos de ter 40 anos e passámos a ter 17 outra vez e fazemos palhaçadas e dizemos asneiras e soltamos gargalhadas que nos enchem o coração. Não precisamos de fazer grandes confidências para sentirmos que é genuína a nossa vontade de nos reencontrarmos. Já não somos os mesmos, a vida encarregou-se de nos fazer crescer e de nos mudar: estamos mais velhos, mais magros, mais gordos ou mais carecas, mas partilhamos aquele desejo de revermos nos olhos dos outros os meninos que já fomos.

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